Temos sardas porque a exposição ao sol faz células chamadas melanócitos produzirem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Em algumas pessoas, a melanina é depositada em aglomerados irregulares, formando pequenas manchas que escurecem com o sol. Esse padrão é controlado principalmente pelo gene MC1R, o mesmo que define cabelos ruivos e pele clara.
Pontos-chave
- Sardas (efélides) são pequenos pontos com alta concentração de melanina, o pigmento que colore pele, olhos e cabelo.
- Os melanócitos produzem melanina para proteger a pele contra os raios ultravioleta do sol.
- Em pessoas com sardas, a melanina não é produzida em maior quantidade — ela é distribuída de forma desigual.
- O gene MC1R controla o equilíbrio entre eumelanina (escura) e feomelanina (avermelhada), definindo quem terá sardas.
- Ninguém nasce com sardas visíveis: elas só aparecem com a exposição solar e costumam clarear no inverno.
- Pele com muitas sardas é mais clara e sensível ao sol, o que exige proteção solar reforçada.
O Que São as Sardas?
As sardas, chamadas de efélides no jargão médico, são pequenos pontos planos de cor marrom ou amarelada que surgem na pele, sobretudo no rosto, nos ombros e nos braços. Cada sarda concentra grande quantidade de melanina, a mesma proteína responsável por pigmentar a pele, os olhos e os cabelos. Quem tem sardas não produz mais melanina do que as outras pessoas: o que muda é o jeito como ela é depositada.
Em quem não tem sardas, a melanina se espalha de maneira uniforme pela pele, o que gera o bronzeado. Em quem tem sardas, ela se agrupa em pequenos pontos que escurecem com a luz solar. É por isso que nenhum bebê nasce com sardas visíveis — elas precisam da exposição ao sol para aparecer. As sardas também costumam clarear no inverno e escurecer no verão, acompanhando o ciclo de exposição aos raios UV.
O Papel da Melanina na Pele
A melanina é a linha de defesa natural da pele contra o sol. Quando a pele recebe radiação ultravioleta, células especializadas chamadas melanócitos começam a fabricar esse pigmento, que escurece a superfície e bloqueia parte dos efeitos nocivos dos raios UV. É esse processo que cria o bronzeado depois de um dia de praia.
O detalhe está na distribuição. Em pessoas sem sardas, os melanócitos espalham a melanina de forma homogênea. Em quem tem sardas, certas áreas da pele acumulam mais pigmento do que outras, formando os característicos pontinhos. Assim, a sarda é, no fundo, um escudo solar concentrado: a pele está se protegendo, mas de um jeito irregular por causa da genética.
O Gene MC1R Decide Tudo
O responsável por essa distribuição irregular é, em grande parte, o gene MC1R. Ele orienta certas células a produzir uma proteína que participa da fabricação de melanina e decide o equilíbrio entre dois tipos de pigmento: a eumelanina, mais escura (castanha a preta), e a feomelanina, avermelhada ou amarelada.
Quando o MC1R funciona normalmente, o corpo produz mais eumelanina, resultando em cabelos e pele mais escuros. Quando esse gene apresenta variações, o corpo passa a fabricar mais feomelanina, o que favorece a pele clara, os cabelos ruivos ou louros e — adivinhe — as sardas. É por isso que ruivos e pessoas sardentas costumam andar juntos: ambos os traços têm a mesma origem genética. Mas a biologia não é simples: existem ruivos sem nenhuma sarda e morenos com sardas, porque o MC1R é apenas uma peça de um mecanismo maior.
Por Que Só Algumas Pessoas?
Sardas são muito mais comuns em pessoas de pele, olhos e cabelos claros, especialmente as de ascendência europeia do norte e do leste. A razão é evolutiva: populações de regiões com pouco sol desenvolveram pele mais clara para absorver melhor a luz e fabricar vitamina D. Essa pele, porém, fabrica melanina de forma menos eficiente e, em quem carrega variações do MC1R, essa melanina se acumula em sardas.
Já populações de regiões ensolaradas, próximas ao equador, desenvolveram pele mais escura, com melanina distribuída de forma uniforme e constante, o que oferece proteção solar permanente. Nesses grupos, as sardas são raras. Portanto, ter ou não sardas é resultado de uma combinação entre genética e a história evolutiva dos seus ancestrais.
| Característica | Sarda (efélide) | Mancha solar (lentigo) | Sinal (nevo) |
|---|---|---|---|
| Origem | Genética + sol | Sol acumulado | Acúmulo de melanócitos |
| Aparece quando | Na infância, com o sol | Na idade adulta | Ao nascimento ou na juventude |
| Some no inverno? | Sim, costuma clarear | Não, é permanente | Não, é permanente |
| Textura | Plana | Plana | Pode ser plana ou elevada |
Sardas São Perigosas?
As sardas em si são inofensivas e não precisam de tratamento. Porém, pele com muitas sardas costuma ser clara e, portanto, mais sensível aos danos do sol, o que aumenta o risco de câncer de pele. Por isso, pessoas sardentas devem redobrar a proteção solar. A Academia Americana de Dermatologia recomenda usar protetor com FPS 30 ou superior e proteção UVA e UVB, reaplicar a cada duas horas, vestir roupas de mangas compridas, chapéu e óculos de sol, e evitar a exposição entre 10h e 14h, quando a radiação é mais intensa.
Também é importante observar qualquer sarda ou mancha que mude de cor, tamanho ou formato. Embora as sardas não se transformem diretamente em câncer, manchas novas que aparecem na idade adulta e não desaparecem no inverno — os chamados lentigos — merecem avaliação de um dermatologista.
Perguntas frequentes sobre sardas
As sardas podem desaparecer com a idade?
Sim. As sardas costumam ser mais numerosas na infância e na adolescência. Com o passar dos anos, muitas pessoas percebem que elas clareiam ou diminuem, especialmente se passam menos tempo no sol. Algumas sardas, porém, permanecem por toda a vida.
O protetor solar apaga as sardas?
Não apaga as sardas que já existem, mas impede que novas sardas surjam e evita que as atuais escureçam. O protetor solar com FPS 30 ou superior é essencial para quem tem pele sardenta, já que essa pele é mais clara e sensível aos raios ultravioleta.
As sardas têm alguma função no corpo?
Têm sim. Cada sarda é um pequeno concentrado de melanina que ajuda a proteger a pele contra os danos do sol. Funcionam como um escudo localizado: a pele está se defendendo da radiação, apenas de um jeito desigual por causa da genética.
É verdade que ninguém nasce com sardas?
Verdade. Os bebês não nascem com sardas visíveis. Elas só aparecem meses ou anos depois, conforme a pele começa a receber a luz do sol e os melanócitos passam a produzir melanina de forma concentrada.
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Fontes e referências
- Villazon L. Why do some people get freckles when it’s sunny? BBC Science Focus Magazine. sciencefocus.com/the-human-body/why-do-some-people-get-freckles
- Crew B. Scientists Still Don’t Know Why We Get Freckles. ScienceAlert, 2016. sciencealert.com — why we get freckles
- Freckles: Causes, identification, and risks. Medical News Today (revisado clinicamente). medicalnewstoday.com/articles/323471
