O mar é salgado porque a chuva, levemente ácida, dissolve minerais das rochas continentais e carrega esses sais até os oceanos, onde eles se acumulam ao longo de milhões de anos, enquanto fontes hidrotermais no fundo do mar adicionam mais minerais. A salinidade média dos oceanos é de cerca de 35 partes por mil, o que significa que cada quilograma de água do mar contém aproximadamente 35 gramas de sal dissolvido.

Esse processo é lento, contínuo e muito antigo. O sal que chega ao mar não evapora junto com a água: quando o Sol aquece a superfície do oceano, a água volta à atmosfera como vapor puro, deixando para trás todos os sais dissolvidos. É o mesmo ciclo da água que explica, por exemplo, por que vemos a respiração no frio — a água muda de estado físico, mas os minerais permanecem onde estão.

O Papel das Rochas Continentais

A principal fonte de sal do oceano não está no mar, mas na terra firme. A chuva absorve dióxido de carbono presente na atmosfera e se torna levemente ácida. Ao cair sobre as rochas, essa água reage com os minerais e os decompõe lentamente — um processo conhecido como intemperismo, ou erosão química. Os íons liberados nessa reação, entre eles sódio, potássio, cálcio e cloreto, são carregados pelos riachos e rios até desaguar no mar.

A maior parte desses íons não é consumida pelos organismos marinhos e, por isso, sua concentração aumenta com o passar do tempo. As rochas continentais são a principal origem dos sais dissolvidos na água do mar, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). Em outras palavras, cada gota de chuva que lava uma montanha leva consigo uma fração invisível de sal rumo ao oceano.

Fontes do Fundo do Mar

O segundo caminho do sal para o oceano passa por baixo da própria água. A água do mar penetra em fissuras do assoalho oceânico, é aquecida pelo magma do manto terrestre e reage quimicamente com as rochas ao redor. Nesse processo, a água perde oxigênio, magnésio e sulfatos, mas ganha metais como ferro, zinco e cobre.

Esse fluido aquecido é liberado de volta ao oceano pelas fontes hidrotermais, que contribuem com minerais dissolvidos para os oceanos. Erupções vulcânicas submarinas também liberam minerais diretamente na água. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registra que, em 2004, cientistas que exploravam o vulcão submarino NW Eifuku, no arco das Marianas, observaram chaminés brancas liberando um fluido turvo carregado de minerais e dióxido de carbono.

A Química da Água Salgada

O sal do mar não é apenas cloreto de sódio puro, embora esses dois elementos sejam de longe os mais abundantes. O sódio e o cloreto juntos representam cerca de 85% de todos os íons dissolvidos no oceano. O magnésio e o sulfato somam outros 10% do total, e o restante vem de elementos como cálcio, potássio e bicarbonato, em concentrações bem menores. Juntos, todos esses sais dissolvidos correspondem a cerca de 3,5% do peso total da água do mar.

A salinidade — a quantidade de sal presente na água — varia conforme a temperatura, a evaporação e a precipitação local. Ela costuma ser mais baixa no equador e nos polos, e mais alta nas latitudes médias. Entender essa composição química ajuda a compreender fenômenos tão distintos quanto a densidade das correntes marítimas e, curiosamente, as cores que diferentes elementos químicos produzem no fogo — tema explorado em nossa explicação sobre as cores das chamas.

Íon Participação aproximada Origem principal
Cloreto cerca de 55% dos íons Rochas continentais
Sódio cerca de 30% dos íons Rochas continentais
Sulfato cerca de 8% dos íons Intemperismo e vulcanismo
Magnésio cerca de 4% dos íons Fontes hidrotermais
Potássio cerca de 1% dos íons Rochas continentais

Esses valores são aproximações e a proporção exata varia de região para região do oceano, mas o cloreto de sódio domina de forma esmagadora.

Por Que o Sal Não Acaba

Se os rios despejam sal no mar há bilhões de anos, por que a água não fica cada vez mais salgada sem limite algum? A resposta está no equilíbrio entre entrada e saída. Parte do sal é retirada do oceano de forma natural: ele se deposita em bacias salinas quando a água evapora por completo, é aprisionado em domos de sal que se formam sob o fundo do mar e é consumido por reações químicas nas próprias fontes hidrotermais.

Os domos de sal são depósitos enormes que se acumulam em escalas de tempo geológicas e existem tanto em terra quanto sob o mar. A entrada de sal pelos rios e pelas fontes hidrotermais e a saída por deposição e formação de domos se equilibram de tal modo que a salinidade média do oceano permanece estável há centenas de milhões de anos. O sistema funciona como um tanque com uma torneira aberta e um ralo: o nível se mantém porque entra e sai a mesma quantidade.

O caminho do sal até o oceano segue um roteiro previsível:

  1. A chuva absorve dióxido de carbono e se torna levemente ácida.
  2. A água da chuva reage com as rochas e libera íons de sódio e cloreto.
  3. Os rios transportam esses íons até o mar.
  4. Fontes hidrotermais somam mais minerais vindos da crosta submarina.
  5. A água evapora, mas o sal permanece, equilibrado pela deposição em domos.

Em síntese, o mar é salgado porque é o destino final dos minerais lavados das rochas e devolvidos pela crosta submarina. A água evapora e reinicia o ciclo; o sal fica. Esse mecanismo, paciente e antigo, transforma gotas de chuva em um oceano que é, em peso, cerca de 3,5% de sal puro.

Fontes