O mar é salgado porque a chuva levemente ácida desgasta as rochas dos continentes, dissolve seus minerais e os rios transportam esses sais até o oceano, onde se acumulam há centenas de milhões de anos. A chuva absorve gás carbônico do ar, ganha acidez e reage com a superfície das rochas; os íons liberados escorrem para riachos e rios até desaguar no mar. Como a evaporação retira apenas água pura, o sal fica para trás e a concentração aumenta ao longo de eras geológicas. A explicação científica da salinidade do mar combina química da atmosfera, intemperismo das rochas e o ciclo da água em um único mecanismo contínuo, e é esse conjunto que este artigo destrincha a seguir.

De onde vem todo esse sal

O ponto de partida está nos continentes. Cada gota de chuva carrega dióxido de carbono dissolvido do ar, que forma ácido carbônico em concentração baixa, porém suficiente para corroer rochas. O impacto físico da água quebra cristais, os ácidos dissolvem minerais como o feldspato e liberam elementos — sódio, cálcio, magnésio e potássio — na forma de íons. Esse caldo muito diluído desce pelas encostas, alimenta córregos e rios e chega ao mar em um fluxo que nunca cessa.

No oceano, muitos desses íons encontram destino imediato: corais e conchas consomem cálcio e carbonato, algas absorvem potássio e nitrato, e o plâncton usa sílica para construir carapaças. Outros íons, em especial sódio e cloreto, quase não são aproveitados e permanecem em circulação por períodos enormes. Com entrada constante e remoção mínima, a concentração cresce até o patamar que conhecemos. A composição dos íons também define propriedades da água, o mesmo princípio que aparece quando explicamos por que o plasma do sangue é amarelo: os elementos dissolvidos determinam cor, densidade e sabor.

Quanto sal existe no mar

A salinidade média dos oceanos fica em torno de 35 partes por mil, o que corresponde a 3,5% do peso da água do mar. Em números práticos, cada quilograma de água do mar carrega cerca de 35 gramas de sais dissolvidos, quase tudo na forma de cloreto de sódio. Para dimensionar o reservatório, o USGS estima que o sal contido em uma milha cúbica de água do mar pesaria cerca de 120 milhões de toneladas. A medida, no entanto, não é uniforme no planeta, como resume a tabela:

Região do oceano Salinidade típica Motivo principal
Média global cerca de 35 ‰ Equilíbrio entre entrada de sais e deposição
Mar Vermelho e Golfo Pérsico até cerca de 40 ‰ Evaporação intensa e pouca chuva
Águas polares abaixo da média Diluição pelo gelo derretido
Foz de grandes rios abaixo da média Grande volume de água doce
Latitudes médias acima da média Evaporação superior à precipitação

Fontes no fundo do oceano

Rios e enxurradas não trabalham sozinhos. Fontes hidrotermais no fundo do mar e erupções vulcânicas submarinas também injetam minerais dissolvidos diretamente na água do oceano. A água do mar penetra em fissuras da crosta oceânica, é aquecida pelo magma, dissolve metais como ferro, zinco e cobre das rochas basálticas e retorna pelas aberturas das dorsais meso-oceânicas. Estimativas do USGS indicam que todo o volume dos oceanos circula por esses sistemas de ventilação em intervalos de poucas dezenas de milhões de anos — um fluxo lento, porém decisivo para a química marinha. As reações não ocorrem em um único sentido: parte dos sais reage de volta com o basalto e sai da água, o que ajuda a manter a composição estável.

Por que os rios não salgam

Se todos os rios levam sal ao mar, por que a água fluvial continua doce? A resposta está na proporção e no tempo. A água dos rios contém sais em concentração baixíssima e com composição diferente da marinha: cálcio e bicarbonato dominam, enquanto o cloreto de sódio representa uma fração pequena do total. No oceano, o quadro se inverte. Cloreto e sódio juntos respondem por cerca de 85% de todos os íons dissolvidos na água do mar, seguidos por magnésio e sulfato, que somam outros 10%.

A evaporação completa o mecanismo. O Sol destila água quase pura da superfície do mar, o vapor sobe, chove sobre os continentes e o ciclo recomeça; o sal, que não evapora, permanece acumulado. É essa combinação de entrada contínua de íons com saída apenas de água que transforma um planeta de rios doces em um oceano salgado.

O equilíbrio da salinidade

Se o sal chega sem parar, por que a salinidade não sobe indefinidamente? Porque a saída acompanha a entrada. Os rios do mundo carregam cerca de 4 bilhões de toneladas de sais dissolvidos por ano até o oceano, e um volume praticamente igual se deposita como sedimento no fundo do mar. Parte do sal reage com a crosta oceânica, parte é capturada por organismos e parte sedimenta em bacias fechadas, como nas espessas camadas de sal enterradas sob o fundo do Atlântico. As estimativas clássicas do USGS sugerem ainda que os mares primitivos eram apenas levemente salgados e foram ganhando sabor ao longo de eras geológicas de intemperismo. Com ganhos e perdas quase empatados, a salinidade média se mantém dentro de uma faixa estreita — e deve seguir assim enquanto o ciclo hidrológico continuar funcionando.

Fontes