O mar é salgado porque a chuva dissolve minerais das rochas do continente e os rios carregam esses íons dissolvidos até o oceano, onde eles se acumulam há bilhões de anos. O sal do oceano vem de duas origens principais: as rochas do continente, lavadas pela chuva e pelos rios, e as aberturas no fundo do mar, por onde água aquecida retorna carregada de minerais. A resposta para quem se pergunta por que o mar é salgado está nesse acúmulo paciente: o sal entra no sistema gota a gota, ao longo de eras geológicas, e praticamente não sai. A água evapora, forma nuvens e volta ao continente como chuva; o sal, este fica para trás, ciclo após ciclo.

De onde vem o sal

A chuva não é água quimicamente pura. Ao atravessar a atmosfera, ela absorve dióxido de carbono e se torna levemente ácida por causa do ácido carbônico que se forma na gota. Quando essa água cai sobre o continente, ela desgasta fisicamente as rochas e decompõe quimicamente seus minerais, liberando íons de sódio, cálcio, magnésio e potássio. Íons são átomos ou moléculas com carga elétrica, e é nessa forma que o sal viaja da rocha até o mar. O escoamento superficial leva esses íons para riachos e rios, que por sua vez os entregam ao oceano, um aporte contínuo que nunca parou desde que existe chuva sobre os continentes.

Muitos desses íons são absorvidos por organismos marinhos e acabam saindo da água. Outros, como sódio e cloreto, os dois componentes do sal de cozinha, não são consumidos em escala comparável e permanecem dissolvidos, e por isso sua concentração cresceu ao longo de centenas de milhões de anos. Medições em todos os oceanos mostram que a concentração média de sais dissolvidos é de cerca de 35 partes por mil. Para acompanhar o trajeto completo desses íons, vale a leitura sobre a jornada do sal das rochas até o mar.

A diferença entre rio e oceano

Rios também carregam sal, só que em concentração baixa demais para o paladar perceber. A chuva repõe continuamente água doce nas bacias hidrográficas e mantém os rios diluídos, enquanto o oceano funciona como o ponto final de todos esses aportes somados. Segundo estimativa apresentada pela NOAA, os rios do mundo despejam cerca de quatro bilhões de toneladas de sais dissolvidos no oceano a cada ano; apenas os rios dos Estados Unidos descarregam da ordem de 225 milhões de toneladas de sólidos dissolvidos anualmente.

O oceano, por outro lado, perde água por evaporação sem perder sal junto: quem sai é só a molécula de água, e o sal permanece concentrado na massa líquida restante. É essa combinação de entrada constante e saída seletiva que explica por que um gole de água do rio não salga a língua e um gole de água do mar é agressivo ao paladar. O funcionamento desse processo em escala planetária está descrito no artigo sobre o ciclo do sal explicado de forma simples.

O sal que sobe do fundo

O continente não é a única origem do sal. A água do mar penetra em fendas da crosta oceânica, é aquecida pelo magma, dissolve metais das rochas vizinhas e retorna ao oceano pelas fontes hidrotermais. Nesse trajeto subterrâneo, a água perde oxigênio, magnésio e sulfatos e ganha metais como ferro, zinco e cobre arrancados da rocha quente. Erupções vulcânicas submarinas completam o quadro ao liberar minerais diretamente na coluna de água.

As dorsais mesoceânicas, cordilheiras submarinas que serpenteiam pelo fundo de todos os oceanos, concentram milhares dessas fontes. O USGS estima que o fluxo de fluidos por esses sistemas é tão volumoso que toda a água dos oceanos circula pela crosta oceânica em ciclos de poucos milhões de anos, o que faz das dorsais um motor importante da química do mar.

Caminhos do sal no oceano

Para enxergar o balanço completo, vale separar as entradas e as saídas de sal do sistema oceânico em uma única tabela:

Direção Caminho O que acontece
Entrada Intemperismo continental Chuva ácida dissolve íons das rochas
Entrada Descarga dos rios Rios levam os íons dissolvidos ao mar
Entrada Fontes hidrotermais Água aquecida retorna com metais dissolvidos
Entrada Vulcanismo submarino Erupções liberam minerais na água
Saída Sedimentação Sal se deposita no fundo do oceano
Saída Reação com o basalto Sais reagem com a crosta e saem da água
Saída Uso pelos organismos Seres marinhos absorvem íons dissolvidos

Por que a salinidade não sobe

Se o sal entra sem parar, por que o oceano não fica mais salgado a cada século? Porque as saídas acompanham as entradas. Pela avaliação da NOAA, o oceano de hoje provavelmente tem entrada e saída de sal equilibradas, e por isso não está ficando mais salgado com o tempo. Boa parte do sal que entra acaba depositada como sedimento no fundo, e outra parte reage quimicamente com o basalto da crosta e é removida da água, um caminho de saída descrito tanto pela NOAA quanto pelo USGS.

A salinidade também não é uniforme no planeta. Ela varia com a temperatura, a evaporação e a precipitação de cada região, tende a ser mais baixa no equador e nos polos e mais alta nas latitudes médias, onde a evaporação supera a chuva. Hoje o acompanhamento desse quadro conta com boias de medição e satélites dedicados, capazes de mapear variações regionais da salinidade da superfície do mar em escala global.

Fontes