Por que o mar é salgado? Porque os rios carregam continuamente sais dissolvidos das rochas do continente até o oceano, e a evaporação devolve apenas água pura à atmosfera, deixando os sais para trás. Depois de bilhões de anos desse ciclo, a salinidade média da água do mar é de cerca de 35 partes por mil, o equivalente a 35 gramas de sais dissolvidos por quilograma de água do mar. Não existe uma mina de sal escondida no fundo do oceano: o sal que sentimos nas ondas começou, em grande parte, nas rochas das montanhas.
Para dar uma ideia da escala desse estoque, estimativas citadas pelo USGS indicam que, se todo o sal do oceano fosse retirado e espalhado uniformemente sobre os continentes, ele formaria uma camada com mais de 160 metros de espessura. Esse volume gigantesco não chegou de uma só vez: é o acúmulo lento de minerais que a água dissolveu das rochas ao longo de centenas de milhões de anos, somado ao aporte contínuo de fontes submarinas, como as fontes hidrotermais das dorsais oceânicas e o vulcanismo no fundo do mar.
De onde vem o sal
O caminho do sal começa na atmosfera. A chuva que cai sobre o continente carrega dióxido de carbono dissolvido do ar, o que a torna levemente ácida por causa do ácido carbônico. Ao escorrer sobre o terreno, essa água erosiona fisicamente as rochas e as decompõe quimicamente, arrancando sais e minerais na forma de íons dissolvidos. O escoamento leva esses íons para os riachos, os riachos para os rios e os rios para o oceano.
Muitos desses íons são absorvidos por organismos marinhos e retirados da água. Outros, como o sódio e o cloreto, não são consumidos de forma significativa e permanecem no oceano por períodos geológicos enormes, com concentrações que aumentam ao longo do tempo. Fontes hidrotermais, por onde a água do mar aquecida circula pela crosta oceânica e volta carregada de minerais, e erupções vulcânicas submarinas completam o aporte vindo dos continentes — um processo detalhado na explicação sobre a origem do sal dos oceanos.
A química da salinidade
A sensação de salgado que sentimos na praia vem principalmente de dois íons. Na água do mar, os íons cloreto e sódio respondem juntos por mais de 90% de todos os íons dissolvidos, e a combinação dos dois forma o cloreto de sódio, o mesmo sal de mesa que usamos na cozinha. Os constituintes restantes incluem sulfato, magnésio, cálcio e potássio, em proporções bem menores.
Uma peculiaridade química da água do mar é que a proporção entre os principais constituintes é quase constante em todo o oceano aberto. Essa estabilidade permite que os cientistas calculem a salinidade a partir da medição de um único componente principal, e explica por que a água do mar tem um gosto parecido em qualquer costa, apesar das distâncias entre os oceanos.
Por que rios não são salgados
Se os rios levam sal ao mar, por que eles mesmos não têm gosto de sal? A explicação está na diferença entre fluxo e estoque. A chuva repõe continuamente água doce nos rios, que correm e se renovam em dias ou semanas, de modo que a concentração de sais neles permanece baixa demais para o paladar humano. O oceano, em troca, é o ponto final de toda bacia de drenagem: ele acumula o sal trazido pelos rios do mundo inteiro e ainda concentra esse estoque porque a evaporação retira só a água, nunca o sal.
Outra dúvida comum é por que essa acumulação não torna o mar progressivamente mais salgado. Na prática, a entrada de sal é compensada por processos de remoção, como a incorporação de íons em conchas e esqueletos de organismos marinhos, as reações com rochas quentes nas dorsais oceânicas e o soterramento de sedimentos salgados no fundo do mar — um equilíbrio explicado em detalhe no artigo sobre por que o mar não fica mais salgado.
Onde a salinidade varia
A média global dos oceanos gira em torno de 35 partes por mil, mas esse número esconde diferenças regionais grandes. Em mares quase fechados e quentes, a evaporação intensa concentra o sal; em regiões polares e perto da foz de grandes rios, a entrada de água doce dilui a água do mar.
Concentrações de até 40 partes por mil são observadas no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico, enquanto as águas costeiras, os mares polares e as regiões próximas da foz de grandes rios apresentam salinidade bem abaixo da média global.
| Ambiente | Salinidade típica | Motivo principal |
|---|---|---|
| Oceano aberto (média global) | cerca de 35 partes por mil | equilíbrio entre aporte de rios, fontes hidrotermais e remoção |
| Mar Vermelho e Golfo Pérsico | até 40 partes por mil | evaporação intensa em mares quase fechados |
| Águas costeiras e mares polares | abaixo da média | diluição por chuva, degelo e água de fusão do gelo marinho |
| Foz de grandes rios | bem abaixo da média | grande volume de água doce misturado ao mar |
Um equilíbrio antigo
A salinidade média do oceano permanece relativamente estável em escalas de tempo geológicas, porque as entradas e as saídas de sal se equilibram. O sal que o mar carrega hoje é, em grande parte, um estoque reciclado por eras: minerais dissolvidos de rochas continentais, ajustados por conchas, sedimentos e reações químicas no fundo do mar. E se a água parece uniformemente salgada em qualquer praia que você visite, é porque a circulação oceânica mistura esses íons em escala planetária, mantendo a composição quase constante no oceano aberto.
